ACB - HÁ 29 ANOS CONSTRUINDO UM NOVO MODELO DE VIDA PARA O SEMIÁRIDO CARIRIENSE

June 24, 2011

 Há aproximadamente 29 anos, em pleno processo de abertura dos tempos de censura e de repressão às manifestações da sociedade civil, um grupo resolveu romper com o imobilismo e propôs a criação de uma organização que pudesse apoiar as comunidades na construção de uma nova sociedade. Esta decisão provocou a indignação de setores da classe dominante da época, que imediatamente reagiu com retaliações, pressão psicológica, demissões. Alguns fraquejaram, se omitiram, no entanto, um grupo determinado criava em 04 de julho de 1982 a ACB – Associação Cristã de Base.

 

Graças esta decisão acertada, nascia umas das principais organizações da sociedade civil da região do Cariri, do Estado do Ceará e do Brasil. Acham que estou exagerando na minha afirmação, vejamos, a ACB participou dos principais movimentos pela reforma agrária da região do cariri, esteve presente em movimentos que culminaram com a criação do Assentamento 10 de Abril – Crato, do Assentamento São João – Antonina do Norte.

 

 

Foi protagonista dos primeiros debates sobre as tecnologias apropriadas para a convivência com o semiárido, da agricultura alternativa e da temática ambiental na região do Cariri. Quem não se lembra das primeiras cisternas de placa construída na região, nem sonhávamos que pudesse se transformar em política pública e principalmente dirigida pelas organizações da sociedade civil. As barragens subterrâneas, tecnologias sociais de captação de água subterrânea, construídas na região e sistematizadas numa cartilha pela ACB que foram espalhadas por todos os cantos do Nordeste.

 

  No campo ambiental, a ACB participou ativamente da criação em 1999 da ASA – Articulação do Semiárido Brasileiro, movimento da sociedade civil organizada realizado durante a COP3 – Recife- PE, articulação que conta atualmente com mais de 750 organizações. Na conjuntura local construiu junto com outros parceiros I Seminário de Combate a Desertificação da Região do Araripe, que consolidou também a criação do Fórum Araripense de Prevenção e Combate a Desertificação. 

 

Foi precursora de um sistema de manejo da caatinga, quando em 1994 trouxe para o debate e implementação os sistemas agroflorestais ou popularmente chamados de “agroflorestas”, desde então a ACB passou a ser referência na difusão da ideologia e da técnica, construindo interativamente com agricultores e agricultoras familiares uma ação efetivamente sustentável para o semiárido brasileiro.   

 

Esta caminhada proporcionou uma integração consciente da produção, da comercialização e de estratégias de certificação, que culminou com a criação de espaços alternativos de comercialização, a exemplo da Feira Agroecológica da ACB fundada em 2003 e de novas feiras distritais, nas comunidades de Ponta da Serra e Monte Alverne, ainda em processo de consolidação.

 

Para finalizar, cito também a importância da ACB nos debates conceituais dos temas relativos ao semiárido, na proposição e execução de políticas publicas, na participação e representação efetiva da sociedade civil, compondo comissões, conselhos, fóruns, no nível municipal, estadual e nacional.   

 

 

Com base nestes elementos, compreendo e reafirmo que ao longo de sua existência a ACB realmente contribui para a construção de um novo modelo de sociedade para a região do Cariri Cearense.

 

ACB Parabéns pelos 29 anos de fundação, com muita satisfação e respeito.

 

Atenciosamente, subscreve,

 

Manoel Jorge Pinto da Franca

Engenheiro Agrônomo, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente e atualmente Diretor Executivo da ACB.

 

 

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