ACB presente na quinta edição da marcha nacional de mulheres

August 14, 2015

 

Nos dias 11 a 12 de agosto aconteceu a 5ª Marcha das Margaridas em Brasília, Distrito Federal. Do Cariri saíram três ônibus no domingo (09) rumo à marcha. A ACB não ficou de fora e participou deste grande ato. Representando a instituição foram duas sócias, Maria Tereza (Terezinha) e Nelzilane Oliveira, duas agricultoras e feirantes, Dona Ana e Dona Maria, ambas moram no Assentamento 10 de Abril, em Crato, e Marria Ferreira, agricultora da comunidade de Riacho Fundo, também em Crato. Seguindo em viagem chegamos ao nosso destino, o Estádio Nacional Mané Garrincha, por volta das três horas da manhã do dia 11, local onde ficamos alojadas nos demais dias. 


Durante o dia 11, na parte da manhã, até as três horas da tarde, as demais delegações do país foram chegando e fazendo seus credenciamentos para o evento. A partir desse horário, ocorreram oficinas e seminários, em vários espaços distribuídos no estádio, sobre os temas “Agroecologia”, “Educação Popular em Saúde”, “Mulheres sem Violência’. Seminário Violência contra as mulheres do campo, da floresta e das águas. Painel temático debate luta das mulheres por autonomia econômica, trabalho e renda. Seminário Mulheres em defesa da sociobiodiversidade e por acesso aos bens comuns. Espaços de discussões de temas debatidos durante o ano, em todo o país, através da equipe de organização da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG). 


No mesmo dia, o palco principal no estádio, recebeu a Conferência sobre Políticas Públicas para as Mulheres Trabalhadoras Rurais, conduzido pela secretária de Jovens da CONTAG, Mazé Morais, que fez as honras da casa. Contando também com a presença de Alessandra Lunas, secretária de mulheres. Alessandra afirmou que a marcha vem sendo construída há mais de um ano e que a caminhada não seria apenas um recado para o governo e o Congresso Nacional, mas também a sociedade brasileira. 


Em seguida, durante a noite, no mesmo palco teve início oficialmente a marcha, seguida de muito ritmo de gritos de mulheres do campo, floresta e das águas, que em seu coro mostraram que os ideais de Margarida Alves continuam vivos. Contando com a presença de várias lideranças do país, mas uma delas foi aclamada e esperada por milhares de mulheres que permaneceram até o início de sua fala, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua fala, repleta de emoção, se fez apoiador da luta das trabalhadoras ali presentes, e reconheceu seus esforços em se fazerem presentes ali, vindas de várias regiões do país.  Ao saudar as regiões do país, uma em especial lhe fez menção em sua fala a razão de tanta agitação da direita no atual cenário político em relação ao Nordeste brasileiro, por ter sido uma das regiões com maior transformação social no Brasil. Isso, pois, ao serem saudadas a margaridas do Nordeste os aplausos e o coro foram nitidamente maior que as das outras regiões, a impressão que se teve no momento é que a maioria ali presentes eram nordestinas. 

 

Na quarta-feira (12), milhares de “Margaridas” marcharam pelas ruas de Brasília, em luta por seus direitos reivindicando um mundo justo, democrático, sem agrotóxicos, com agroecologia, sem violência e com mais respeito. Seguidas por cartazes e murais confeccionados por suas delegações a fim de mostrarem suas reivindicações. O Cariri não ficou de fora e também construiu seu mural coletivo que foi carregado por dezenas de mulheres.


A marcha terminou com um abraço do Congresso Nacional. As “Margaridas” cercaram o prédio de forma ordenada, sem tumulto e sem violência. De forma pacífica. No gramado, ao centro da Esplanada dos Ministérios, bandeiras e faixas davam o tom das reivindicações de cerca de 70 mil mulheres, que davam coro e tom das margaridas. Uma marcha em defesa da democracia.
Ao terminar a caminhada, as “Margaridas” retornaram ao Estádio Mané Garrincha para o encerramento da Marcha, que receberia a Presidenta da República, Dilma Rousseff. A abertura foi ao som de “Aquarela do Brasil”, coreografada por mulheres que formaram junto ao palco central, em formato da flor margarida, outras cinco margaridas. 


No palco central do estádio, foram convidadas várias representações do país, além da coordenação da CONTAG, a presidenta e alguns ministros, inclusive, a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello. Depois de cumprimentar as margaridas do Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste, Dilma Rousseff, iniciou sua fala destacando a decisão firme das mulheres em lutar por democracia, contra a violência e por dignidade. 

 

 


Após o encerramento das falas, hora de retornarmos a nossos destinos e rumarmos a nossas casas. Na volta, muitas histórias a contar. Novos aprendizados e o conhecimento de outras realidades não tão diferentes em nosso país. Fomos bem recepcionadas, o evento foi bem organizado, tínhamos uma grande estrutura que, como foi dito pela Secretária de Mulheres da CONTAG, Alessandra Lunas, ser um espaço do povo, em defesa dos comentários feitos antes da marcha onde “boataram” que iríamos ocupar o estádio. No caso, foi um evento articulado, anteriormente, e negociado com o governo local e distrital. 


Com exemplos a serem seguidos de mulheres como dona Ana (Maria Ana da Silva) e dona Maria de Nêna (Maria Agostinho de Aquino), mulheres de luta que participaram da marcha, as duas moradoras do Assentamento 10 abril. Estas participaram desde o início da luta pelo assentamento. Hoje, mulheres que vendem, desde o início, na Feira Agroecológica da ACB, além de serem participantes do projeto Jovens Familiares Produzindo no Cariri, patrocinado pela Petrobras e executado pela ACB. As duas receberam um sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS). Dona Ana já está produzindo e vendendo o que produz na feira e, segundo ela, o projeto mudou sua vida. 


As duas durante toda a viajem se mostraram convictas de sua participação na marcha, que estaria indo, assim como em marchas anteriores, dispostas a lutarem pelos direitos e em representarem as tantas outras margaridas que não puderam ir. Como disse Dona Ana “se eu morresse hoje morreria feliz por ter tido saúde para chegar até aqui”. São relatos assim, possíveis de ouvir durante a marcha. Mulheres cheias de vida, que nem mesmo o cansaço lhes fizeram deixar de participar. 


Terminamos a marcha lamentando a morte de três mulheres que morreram durante o evento: Maria Ozenira Cardoso Araújo, 44 anos, liderança do Piauí; Maria Pureza dos Santos Nascimento, 62 anos, do Sergipe; e Izabel Gonçalves dos Santos, 54 anos, liderança do Pará.

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