Associações comunitárias do Baixio das Palmeiras e escola realizam seminário

September 15, 2015

Quarto seminário, criado para debater as demandas das comunidades, contou com a presença da ACB, cobrindo o evento e enviando representantes. 

 

 

As associações rurais do distrito Baixio das Palmeiras, em Crato, se reúnem para debater as demandas de suas comunidades, anualmente. A quarta edição do Seminário das Associações Rurais do Baixio Palmeiras teve como tema “Semiárido vivo: educação do campo e resistências”, aconteceu na sexta e sábado, dias 11 e 12 de setembro, na Escola de Ensino Infantil e Fundamental Professora Rosa Ferreira de Macêdo, na comunidade do Muquém. 

 

O distrito do Baixio das Palmeiras, formado por dez comunidades, realizou o primeiro Seminário das Associações, em 2011. Desde então, a cada ano, uma comunidade diferente recebe o evento. Só que, este ano, com o apoio da Escola Rosa Ferreira de Macêdo, o Muquém voltou a sediar. Foi lá, que deu início ao seminário, que veio para integrar os sítios, entidades, debater as demandas dos lugares e encaminhar resoluções para os temas.  

 

No seminário deste ano, 40 entidades participaram, entre ONG’s, sindicatos, associações, universidades, coletivos de juventude e secretarias municipais de Crato. Cada uma mandou representantes. “O número de entidades mostra que, a cada ano, vai se ampliando, aumentando cada vez mais. O nome Baixio das Palmeiras é apenas simbólico, mas está mais abrangente. Importante que outras comunidades se proponham a realizar”, explica Liro Nobre, professor, membro da Associação Rural do Baixio das Palmeiras e um dos organizadores do evento. 

 

 

 

Liro lembra ainda, que várias pessoas que não puderam estar presentes, se preocuparam em mandar representes. Assim, o Seminário, apesar de muito jovem, se tornou parte do calendário de importantes seguimentos da sociedade civil. O resultado disso, se encontra no seu início, quando em 2011, a obra do Cinturão da Águas era um dos primeiros questionamentos e hoje se estendeu, trazendo vários resultados. “Você ter uma roça comunitária, em que as sementes daqui são da associação. Isso é fruta de uma luta. Outro exemplo, o Muquém está se propondo a preparar um projeto em transformar a casa de farinha familiar em um patrimônio das comunidades”, acrescenta Liro. 

 

Uma palavra que esteve presente no seminário foi “semente”. Muitos dos participantes colocaram a importância de dar um pontapé nos debates e encaminhamentos do Seminário, para que possam estar conquistando no futuro. “Estamos voltando onde aconteceu o primeiro seminário. Estamos produzindo tanta coisa e é importante que isso seja divulgado. Aqui nós plantamos e hoje estamos dando uma regadinha, mas é fundamental que este evento seja levado a cada comunidade. Que possamos trocar nossas experiências para construir nossa carta”, colocou José Cícero Braz, também da Associação Rural do Baixio das Palmeiras e organizador do evento. 

 

A Escola Rosa Ferreira de Macêdo teve papel fundamental na execução do IV Seminário das Associações Rurais do Baixio das Palmeiras. Além de ceder seu espaço para receber o evento, a diretoria dispôs seus funcionários para organizar oficinas, grupos de trabalho e a alimentação. A articulação da parceria foi feita entre a professora Cristina Nobre, moradora do distrito, e foi bem recebida pela diretora Rejane Siebra “A escola está de porta aberta para comunidade, para as entidades. Escola e comunidade não podem se dissociar”, disse Rejane, durante o evento. 

 

No primeiro, na sexta-feira (11) de manhã, o evento foi voltado para os estudantes da escola. Ao todo, cerca 100 alunos participaram de sete oficinas, divididas entre as seguintes atividades: cinema, horta suspensa, defensivos naturais, arte e reciclagem, fotografia, cinema e batuque. Os jovens se dividiram nas salas e na quadra esportiva, com 14 a 20 participantes em cada um. “Senti muita falta dos alunos, da juventude, no seminário do ano passado. É um momento muito feliz, porque estamos aqui construindo nossa identidade, nossa história. Tomara que nos próximos anos possa acontecer aqui”, explica a professora Cristina Nobre. As oficinas foram facilitadas por pessoas convidadas de entidades parceiras do seminário. 

 

No segundo dia, aberto ao público, o seminário contou com a participação massiva de entidades, moradores e alguns estudantes e funcionários da escola. A programação foi voltada para as discussões políticas e os relatos das oficinas feitos pelos próprios alunos. Em seguida, os participantes se dividiram em grupos de trabalho temáticos para discutir as demandas locais e regionais. 

 

Os temas dos grupos de trabalho foram escolhidos previamente, pensando o tema do seminário junto com as demandas locais. Os seis temas, “Água e Cinturão das Águas”; “Juventude, cidadania e comunicação”; “Agroecologia e sementes crioulas”; “Terra, desmatamento e latifúndio”; “Escola e comunidade”; “Gênero e saúde popular”, foram facilitados por parceiros do evento. Em cada um dos grupos, moradores participaram e debateram em conjunto. Só que, cada espaço foi propositivo e cada equipe trouxe demandas para discutir na plenária final do evento. 

 

Os encaminhamentos do seminário foram colocados na carta final, que serve como documento do evento. Todo ano, a carta apresenta a perspectiva do que foi realizado.  Segundo o presidente da Associação Rural do Baixio das Palmeiras, Francisco de Assis Santos, os objetivos foram realizados, agora é pensar em construir o próximo evento antes de julho de 2016. “Importante são as dez associações e a escola. Conseguirmos levantar as características dos problemas das comunidades. Mas é importante que a mães e pais se sensibilizassem com a escola que é nosso maior bem. E o que saiu daqui leve para ser discutido”, completou Assis Santos. 

 

 

 

O Cinturão das Águas

 

Desde 2011, quando descobriu a chegada da obra, as comunidades do distrito do Baixio das Palmeiras convivem com as incertezas sobre o Cinturão das Águas. Lá, a princípio serão desapropriadas 17 famílias, número reduzido depois de um processo de resistência da comunidade, iniciado pela falta de informações sobre a obra. 

 

A Asssociação Rural do Baixio das Palmeiras, junto com as famílias atingidas e parceiros da Universidade Regional do Cariri (URCA) e Universidade Federal do Cariri (UFCA) organizaram várias audiências públicas, reunições e manifestações de rua para esclarecer os atingidos e questionar a obra na comunidade. 

 

O Cinturão das Águas faz parte do projeto da transposição do Rio São Francisco, sendo um sistema de canais que conduzirão a água do Velho Chico, por todo território do estado. A obra, planejada pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), traz em sua justificativa reduzir a seca na região e garantir a segurança hídrica do Ceará. 


Dividida em três etapas, tem 40 anos de previsão para ser concluída. De acordo com Estudo de Impactos Ambientais e o Registro de Impactos Ambientais (EIA/RIMA), a previsão é de que só a primeira fase seja um canal com 149 km de extensão, indo da cidade de Jati até Nova Olinda. O primeiro trecho de canais terá 30m de largura e mais 100m de margem em cada lado. De acordo com o documento, custará R$ 1,6 bilhão e 127 famílias serão removidas nessa etapa. 

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