Marcha das Margaridas 2019

August 21, 2019

A cidade de Brasília foi palco de mais um ato de rua, este conhecido desde o ano 2000 por trabalhadores/as rurais de todo país. No dia 14 de agosto foi realizada a 6ª edição da Marcha das Margaridas. O ato acontece em homenagem ao símbolo de resistência, a liderança sindical paraibana Margarida Alves que foi assassinada no ano de 1983 a mando de latifundiários.

 

O evento é organizado pela CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Federações e Sindicatos. Cada canto do país teve sua participação, outro momento importante foi a realização da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas realizada no dia 13.

 

A ACB participa mais um ano da Marcha das Margaridas em Brasília – DF, estando em sua 6ª edição. A jornada iniciou-se no último domingo dia 11/08, na saída à delegação do Crato com toda sua animação se somou no ônibus vindo de Missão Velha. Foram duas representantes da ACB, Maria Tereza (Conselho Fiscal – ACB) e Nelzilane Oliveira (Coordenação Colegiada e Comunicadora Popular – ACB).

 

 

Foto: José Nildo

 

No dia 13 no pavilhão do Parque da Cidade de Brasília, local onde as Margaridas de todo país ficaram alojadas, aconteceram no período da tarde oficinas e palestras. No final da tarde foi montada a Feira de Saberes e Sabores, Maria Tereza participou deste espaço e nos relata um pouco de sua participação.  “A participação da feira de saberes e sabores foi muito importante é um momento de trocas, conhecimentos e aprendizado. Além dos contatos e divulgação. Eu só tenho que agradecer a Deus e a ACB a oportunidade”, diz ela.

 

Na noite do dia 13 foi realizada a abertura oficial da marcha, momento de muita alegria. Durante o dia mesmo com todo cansaço das delegações que chegavam das mais remotas regiões do país, foi um verdadeiro festejo. O encontro e reencontro de mulheres que participaram de outras edições da marcha, que se conhecem de outros espaços de luta.

 

Uma de nossas representantes da ACB, Maria Tereza participa da marcha para ela é sempre um momento de muita emoção. Sobre sua participação nos diz “é segunda marcha que participei e como sempre um momento de muita emoção alegria e esperança, diante de tantas dificuldades e retrocessos, voltamos renovadas na certeza de um dever cumprido. A Marcha das Margaridas é momento de união e fortalecimento, mulheres lutando por seus direitos, liberdade e pelo fim de toda opressão”, concluí.

 

A saída no dia da marcha foi outro momento de muita organização e animação, a delegação do Ceará teve seu destaque no meio da multidão. Com seus chapéus e bandeiras, seus bandeirões que foram confeccionados de forma coletiva, ecoaram seus gritos por todo percurso. Uma caminhada longa, pacífica, mulheres de todas as idades e todas as cores.

 

A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) do Crato Celiane Davi Bispo, a marcha foi de grande relevância. Celiane é a primeira mulher eleita presidenta do STTR – Crato nós últimos 50 anos do sindicato.  Há alguns anos ela não participa da marcha, com esse cenário de retrocessos e ameaça de perca direitos sua participação neste espaço foi reafirmar a luta. “A nossa marcha foi de grande sucesso, eu representando todas as trabalhadoras e trabalhadores rurais do município do Crato. Mais uma marcha de grande importância, para nós mulheres trabalhadoras rurais e homens trabalhadores rurais que produz produtos de qualidade para alimentar toda a população do campo e da cidade do Brasil e do mundo. Estou agradecida por mais marcha e pela importância e a resistência das mulheres por ser a 6ª marcha e teve tanta representatividade de todas as classes de mulheres trabalhadoras rurais e urbanas. Aqui do Crato tivemos o privilégio de levar 43 mulheres e homens, entre trabalhadoras/res rurais e urbanas, parceiras, isso é de grande importância e fortalece cada vez mais o movimento sindical, o movimento social e popular que acredita num brasil diferente num novo Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência. ”.

 

Ela completa, agradecendo e falando que a marcha não é apenas das mulheres.  “Essa marcha não luta só pelas mulheres, mas sim por todas as classes, pelas crianças, e idosos. Porque quando as políticas públicas chegam até nossas cidades e nossos estados, não chega só para as mulheres, mas também é para toda sociedade. Quero agradecer a todos e todas pela participação, conseguimos levar muito além da nossa meta e isso graças à parceria e todos e todas que acreditaram. Foi uma grande Marcha das Margaridas! ”, conclui.

 

Na delegação contamos com a participação da jovem Amanda de Souza, ela participou como pesquisadora inclusive a marcha foi parte de sua pesquisa em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “Participei da Marcha porque faço pesquisa sobre movimentos sociais e foi tema do meu trabalho de conclusão de curso. Acompanhei com um olhar de pesquisadora. A luta por direitos é fundamental para o meio rural. O sindicalismo rural e o movimento feminista são imprescindíveis para a realização do evento. Foi a primeira vez que participei. Diante desse novo governo neoliberal, acredito que essa edição não terá tanta eficácia como as outras. Mas fiquei feliz e realizada por saber que a luta não parou mesmo com tantas dificuldades. Participei da Comissão de Jovens do STTR JARDIM-CE, foi lá que tive o primeiro contato com o movimento sindical rural e conheci a Marcha das Margaridas. Fiquei encantada e resolvi introduzir o tema no Grupo de Pesquisa Gênero, Geração e Direito da FAP junto com a minha professora Priscila Ribeiro da disciplina de Sociologia, em 2015”, conclui.

 

A marcha atendeu a expectativa de Luzia do Nascimento Souza (50 anos), agricultora do sítio Correntinho da cidade do Crato e vice-secretária do STTR – Crato. Para ela o momento foi de grande importância “Para nós mulheres foi momento de reivindicarmos nossos direitos, por igualdade. Estamos vendo nossos direitos serem deixados de lado, são muitas perdas que ultimamente estamos vendo acontecer”, afirma ela.

Participei da Marcha – O que achei?

- Rivaneide Maria da Rocha, 40 anos, mais conhecida por Mana, presidenta do sindicato de Barbalha. “Estou participando da marcha pela primeira vez. Mas sempre tomei conhecimento e incentivei outras mulheres a participarem. A marcha é um movimento muito importante dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, e esse ano foi emocionante. Um ano de muito retrocesso, foi uma forma das mulheres mostrarem ao governo atual que a gente não vai desistir de reivindicar os nossos direitos. Mesmo com tantas ameaças e tantos problemas que enfrentamos, nós mulheres mostramos nossa coragem e fomos à Brasília! ”, conclui Mana.

 

- Rosemary de Melo, presidenta do STTR de Caririaçu, “É o segundo ano que participo da marcha, em 2011 também tive o prazer de poder participar e agora em 2019 novamente. É um momento de grande importância da nossa luta, foi através das marchas que conseguimos coisas importantes. Esperamos que este ano possamos ter nossas vozes ouvidas! ”, diz ela.

 

- Avani Leite, 48 anos, representando o SINTSEF (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado Ceará – Crato). “Estou participando a primeira vez representando meu sindicato. Fiquei encantada foi a coisa mais linda que vi na vida, poder ver tantas mulheres juntas reivindicando seus direitos. São mulheres de todas as classes, professoras, agricultoras, índias, e tantas outras. Espero poder participar outras vezes, essa marcha vai ficar para a história inclusive na minha vida”, com alegria ela fala.

 

- Nelzilane Oliveira, 33 anos, representando a ACB. “Descrever o espaço de chegada e a abertura da marcha é simplesmente difícil. É emocionante ver mulheres de todas as regiões do país se encontrarem e reencontrarem, eufóricas, com abraços e gritos. Espaço de extrema importância política na incidência feminina em garantir seus direitos. Na noite da abertura fui com uma camiseta que tinha a estampa da capa do disco de Elza Soares ‘Deus é Mulher’, fui parada inúmeras vezes por mulheres que diziam ‘minha filha que camiseta linda, realmente Deus é Mulher!’. Durante a marcha ver a mesma alegria e emoção do dia anterior foi renovar minha esperança. Cada canto um grito de liberdade e democracia! ” .

 

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