40 anos cultivando agroecologia no Cariri.

Por Nelzilane Oliveira - Diretora de Comunicação | ACB

Há 40 anos atrás brotou do coração de um grupo que se desprendeu de um coletivo ligado à igreja, mulheres e homens que em passaram pela Ditadura Militar e tiveram em seus corações o desejo de ver o povo da zona rural com uma vida digna. Foram anos de muita batalha, muitas pessoas passaram pela escola ACB, é assim que muitos a chamam, uma verdadeira escola.


Este último ano em nossos corações vibra a esperança e que dias melhores cheguem em nossos lares luzes de alento em dias tão difíceis na vida de nosso povo. O semiárido cearense e seu povo conhecem bem o que é ser resistente, em nossos lares contamos e ouvimos relatos de nossas famílias e familiares sobre anos de muitas dificuldades na zona rural e nossas cidades.


Na caminhada por um sonho coletivo, de muitos corações engajados e muito trabalho nos dedicamos em ver uma transformação de vida no cenário tão batido de escassez, fome e miséria. Foram anos que passamos para ver o país sair do mapa da fome, anos de muito esforço coletivo para levar melhores condições de vida aos povos do semiárido.


Escola que em sua trajetória pode ver voos de muitos que por ela passaram, pessoas que seguiram rumos que foram trilhados o início de seus aprendizados nesta escola que esteve sempre ligada aos ensinamentos de Paulo Freire, na valorização da sabedoria popular. Cada uma e cada um que por essa escola passou pode deixar parte de si e levou um pouco da instituição em sua vida.


Os mais experientes que ainda fazem parte dessa caminhada são fonte de sabedoria e partilham suas experiências ao longo desses 40 anos de luta e resistência. Nomes que carregam traços de uma instituição que segue rumo ao bem viver, que na roda da vida traz a agroecologia como engrenagem que une os ensinamentos do povo e do tecnicismo das universidades.


Foram anos de aprendizado e conquistas, famílias atendidas nos projetos, tecnologias sociais implantadas, feiras agroecológicas, participação em eventos e fóruns. Trilhamos um caminho de conquistas e muitos desafios. Certificamos uma tecnologia social em 2013, que chamamos de Cisterna Chapéu do Padre Cícero e recentemente estamos adaptando outra tecnologia social em parceria com o IFCE Crato chamada Olho D’água Cinza.


A Feira Agroecológica do Crato completa agora em julho 19 anos, com a retomada após as restrições da pandemia passa a se chamar Feira Agroecológica e da Agricultura Familiar. As feiras de Santana do Cariri e Milagres resistem ao tempo e continuam. A feira do município de Nova Olinda retomou as atividades recentemente e o grupo está confiante e feliz com o retorno.


Nestes 40 anos cultivando agroecologia no Cariri atravessamos nos últimos anos tempos difíceis, uma pandemia que deixou rastros por passou. Rastros que saíram recentemente no II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da COVID-19 no Brasil realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Na qual consta que 33 milhões de pessoas no Brasil em situação de fome.


Diante de tantos retrocessos e percas de direitos reafirmamos nossa missão “Contribuir com as comunidades no exercício da cidadania para a convivência com o semiárido”.

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