SEMEANDO SONHOS E AGROECOLOGIA NO CARIRI

Escrito por Nelzilane Oliveira

Romão e Bernadete (Beta) , Engenho da Serra. Foto: Nelzilane Oliveira


O município do Crato (CE) fica localizado na Chapada do Araripe que é conhecida por suas belezas naturais e seu povo é retratado por sua cultura e religiosidade. É neste rico cenário que a Associação Cristã de Base (ACB) iniciou no mês de fevereiro de 2020 o Projeto Plantando Agroecologia no Cariri, um convênio com a Fundação Banco do Brasil. Tendo como território as comunidades Brejinho, Engenho da Serra, Riacho Fundo no município do Crato e a comunidade Gostoso no município de Nova Olinda (CE). As ações foram desenvolvidas em sua maioria pelas mulheres cuja participação é de 80% nas atividades do projeto.

O Objetivo do projeto é promover a inclusão de agricultores/as familiares na produção agroecológica, através do sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – PAIS. Foram implantados 50 sistemas PAIS, onde estas famílias já estão trabalhando em seus quintais produtivos acompanhadas pela equipe do projeto.

A equipe do projeto é composta por Ricardo Vieira (coordenador executivo), Ery Claudio Alves (técnico em Agropecuária – diretor Administrativo da ACB), Brígida Tavares (gerente financeira) e Nelzilane Oliveira (comunicadora popular – diretora de Comunicação da ACB).

O projeto possui parcerias importantes para sua execução. São elas: FETRACE (Federação dos Trabalhadores (as) Rurais do Ceará) regional Cariri, STTRs (Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais), associações, grupos de mulheres e Secretarias de Agricultura dos municípios.


Principais atividades do Projeto

1-Implantação de 50 sistemas PAIS

2-Realização de 05 capacitações: sistema PAIS, socioeconomia solidária, produção de forragem, galinha caipira e oficina sobre gênero.

3-Acompanhamento técnico


O que é um Sistema PAIS?

O sistema PAIS integra um conjunto de técnicas sustentáveis adaptáveis nas zonas rurais cuja realidades são semelhantes. No caso do projeto Plantando Agroecologia no Cariri se assemelha na proporção de área de cultivos das famílias beneficiárias, a grande maioria é em média 01 tarefa (0,3 h) por família.


Durante a execução do projeto atravessamos da pandemia do novo Coronavírus, no mês de março de 2020 tivemos que paralisar as atividades do projeto devido ao decreto estadual se estendendo até o mês de setembro. Em todas as etapas da retomada das atividades do projeto as dificuldades foram inúmeras, a instituição teve o compromisso de unir forças para contornar as situações adversas

A retomada ficou marcada pela capacitação em Sistema PAIS. Foram realizados dois momentos, acompanhados por Ricardo Vieira (coordenador do projeto), Ery Alves (técnico em Agropecuária do projeto) e Evandro Santos (associado da ACB).

"No mês de outubro tivemos o encontro do projeto, fizemos uma das implantações e entre uma conversa e outra aproveitei para conhecer melhor (o trabalho dos outros participantes). Aprendi como fazer as mudas, remédio caseiro para as aves, misturar o esterco para que ele não fique forte. Aprendizados muito interessantes para que possamos cuidar do nosso solo com reponsabilidade. Sejamos comunicadores da agroecologia", declarou Josiane Batista Pereira, 32 anos (beneficiária, comunidade Gostoso/Nova Olinda - Ceará).

O projeto que foi realizado durante a pandemia da Covid-19 conseguiu desenvolver os trabalhos nos meses de execução após a liberação das atividades. A equipe técnica e benecifiários/as tiveram uma interação positiva para poder garantir essa caminhada.


Sistema de Rafaela com produção em alta. Foto: Nelzilane Oliveira


"Diante das ações realizadas inicialmente no projeto, foi possível identificar um publico receptivo e interessado em se envolver no propósito apresentado. Observa-se que as famílias já possuem aptidão para as atividades apresentadas, na maioria dos casos com grande necessidade de orientações técnicas, o que favorece a possibilidade da realização de um bom trabalho junto a essas famílias", afirma Ery Cláudio Alves, técnico agrícola do projeto.

Nos meses que seguem o acompanhamento técnico da equipe se pode constar uma evolução na produção de alimentos. Atentando-se que uma das dificuldades apontadas pelos/as beneficiários/as está na comercialização dos produtos que ainda está tímida.

O saber partilhado segue firme, mesmo que em alguns momentos os encontros ocorram de forma virtual. Do chão já brotam as sementes cultivadas no solo cheio de cuidados e afetos.


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